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terça-feira, 16 de março de 2010

A Indesejada

Publicada por Anónimo à(s) 11:59



Um homem olhou para a casa. Estava feliz por ter encontrada uma habitação de aspecto tão antigo e histórico. Contavam que tinha havido ali um grande crime, mas eram só histórias. Algo lhe chamou atenção no jardim. Um gato branco estava a escavar um buraco. Isso era algo que nunca tinha visto. O homem afugentou o animal. Olhou para dentro do buraco e encontrou um diário. Começou a ler:



Segunda-Feira, 20 de Outubro de 2008
Hoje, quando cheguei, observei a casa. Apesar de antiga, parecia ser acolhedora. Era de estilo vitoriano, toda em madeira branca. O telhado de telhas castanhas estava impecável. Segundo as informações que me tinham dado, tinha sido renovada apenas uns meses antes. Esta é mesmo a minha casa de sonho. Estive o dia todo a desempacotar as minhas coisas. Apesar de viver sozinha, a casa dava para pelo menos três famílias pequenas.


Terça-Feira, 21 de Outubro de 2008
O primeiro dia na casa foi passado em arrumações. Pelo menos pude explorá-la. Tem bastantes quartos e três casas de banho. Uma sala de estar enorme ligada a uma sala de jantar em tamanho XXL também constam na lista de excentricidades de uma casa que custou tão pouco. Mas não me queixo. Para além da sensação de estar a ser observado que senti durante todo o dia, está tudo bem. deve ser apenas o tamanho da casa que me faz isto. Decidi alugar os quartos aos estudantes da universidade aqui perto.
Estou a escrever outra vez. Parecia ter ouvido alguém lá em baixo. Era só um gato vadio que estava no jardim das traseiras. Devo dizer que me assustei... Bem, vou deitar-me.


Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008
Não escrevi durante o resto desta semana por causa das tarefas que tive. Arrumei a casa toda, e já tenho gente para me alugar os quartos: dois rapazes e duas raparigas. Havia uma outra rapariga que também estava interessada, mas quando lhe disse a morada ela agiu de forma estranha. Pelos vistos tinha encontrado outro sitio melhor para ficar. O dinheiro do alugamento dos quartos vai ajudar enquanto não encontro emprego aqui na zona.

Terça-Feira, 28 de Outubro de 2008
Os estudantes universitários já se instalaram. Uma rapariga de cabelos castanhos e de óculos, chamada Clara, um rapaz de cabelos pretos compridos chamado Afonso. Os outros dois são a Beatriz e o Martim. São ambos muito tímidos, mas o Martim até parece paranóico. Ele diz que os habitantes da zona não se aproximam da casa, e também contou que se sentiu observado, tal como eu. Mas acho que é só paranóia. O Afonso sempre viveu nesta zona, e até parece entusiasmado por estar a dormir aqui em casa.
Ouvi um grito. Era a Beatriz. Viu cão. MAs pelos vistos não há razão para alarme, pelo que o Afonso me contou ela tem medo deles... Se calhar não vai gostar quando eu trouxer os animais do meu consultório para casa... Acho que os veterinários como eu sonho ser fazem isso algumas vezes...

Sexta-Feira, 31 de Outubro de 2008
Até agora não aconteceu nada de interessante, mas houve uma coisa que me perturbou. Já sei qual a razão do entusiasmo do Afonso em dormir aqui, e o medo das outras pessoas de se aproximarem da casa. Ele é um fanático pelo sobrenatural, e a casa tem fama de assombrada. O Martim quase saiu a correr da casa enquanto ele contava a história À luz da vela. Pediu-me para u abandonar a casa. Beatriz concorda com o Afonso: Devemos investigar. Clara estava do lado do Martim, apesar de dizer que se queria manter neutra. Eu... Deixei-me levar pela curiosidade. Apoiei o Afonso e a Bia.
Estávamos na sala, quando ouvimos alguém no andar de cima. O Martim passou-se e saiu da casa. Eu e os restantes fomos ver quem lá estava. Demos de caras com um gato branco. Eu estava prestes a aproximar-me, quando o Afonso me agarrou o ombro. Estava assustado. Olhámos todos para ele. O gato miou, mas quando nos viramos para o animal , tinha desaparecido. Mais tarde ele contou-me porque tivera aquela reacção. Segundo a lenda, o gato tinha assistido à morte da dona, que fora assassinada. Era o fantasma vingativo da mulher que amaldiçoava a habitação. O gato aparecia sempre como aviso antes de a dona tentar matar alguém. Eu lembrei-me do gato: era o mesmo que eu vira algumas semanas antes. E lembrei-me de outro pormenor: No dia a seguir encontrei as facas da cozinha espalhadas pelo chão. O Afonso disse que eu tinha tido sorte, porque o espírito tinha mudado de ideias.
Pouco depois de o Afonso acabar a história, a Clara voltou do jardim das traseiras branca como cal. Eu fui ver o que se passara. Por trás da árvore vi uma mão. Corri para lá, pois pensei que alguém podia precisar de ajuda. E então, descobri porque é que o espírito não me matara. Tinha roubado a vida de outra pessoa: A rapariga que recusou a minha oferta de alugamento do quarto.
Ouvi um grito e vim a correr. Quando cheguei à sala, encontrei todos de volta do Martim. Já estava mais morto do que vivo. Estou a escrever enquanto o vejo morrer, impotente, a ambulância vem a caminho, mas acho que não vão chegar a tempo... Ele tem as entranhas fora do corpo.
Já são duas da manhã. A ambulância realmente chegou... Mas assim que chegou à recta perto da casa, despistou-se. Só um dos paramédico sobreviveu. Ele disse-nos que vira uma mulher velha no meio da estrada. Já não sei o que fazer. O Martim deu o seu último suspiro à dez minutos. O paramédico desconfia que fomos nós... E agora quer chamar a policia... Encontrou o corpo da rapariga com a faca espetada na cabeça. Ele não quis acreditar em nós, apesar de lhe termos dito sobre a lenda. O paramédico foi ao andar de cima telefonar. Nós ficámos petrificados quando vimos o gato passar por entre as pernas dele enquanto ele ligava à policia. Esperámos para ver quem seria o próximo.
Não passaram nem cinco minutos, e o paramédico vinha a correr pelas escadas abaixo: tinha um corte na cara recente, fito depois do acidente com a ambulância. Saiu da casa a correr, a gritar que á acreditava em nós... O infeliz tropeçou... No gato. Quando caiu, bateu com a cabeça num dos vidros da ambulância que estava no chão. Morreu instantaneamente.
São cinco da manhã. Estamos à espera que amanheça, para sairmos da casa.
Estas poderão ser as minhas últimas palavras. Ela já apanhou os outros, vou enterrar aqui o diário, talvez o encontrem e recebam o meu aviso: ELA É PERIGOSA... Matou-os a todos... Oh, deuses... O gato está na entrada, a olhar para mim... Tem de ser. Adeus.

O homem reviu as últimas linhas do diário. Pensou que seria uma brincadeira de crianças. Então, sentiu algo a roçar-lhe as pernas, e deparou-se com o gato branco de olhos suplicantes, que tinha estado a escavar o buraco. Á porta da casa apareceu uma velha. O diário caiu no chão, e o homem correu em direcção à estrada, sem se aperceber da carrinha que passava a grande velocidade. Pouco depois ouviu-se um som seco, e uma travagem. O homem perdeu a vida instantaneamente.



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Aqui eu, o Flávihist e o PtShadow, vamos postar as nossas pequenas histórias para lerem. Eu, Ptplayer, estou encarregue de gerir o blog, do design e também sou responsavel pela autoria de algumas histórias. Sou ainda o reponsável pela publicação de todas as histórias e, como tal, apareço sempre como o autor dos posts. Todas as histórias que não tiverem indicações acerca do autor foram publicadas por mim. O PtShadow é o corrector do blogue e também autor de algumas histórias
 

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