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sexta-feira, 28 de maio de 2010

My Immortal

Publicada por Anónimo à(s) 12:32
Esta é uma história que foi inspirada na música dos Evanescence, My Immortal

Ainda me lembro, como se fosse ontem. Não. Lembro-me como se tivesse sido ainda esta manhã. A manhã em que te conheci. Os teus longos cabelos sedosos esvoaçavam com a brisa marinha. Ali estavas tu, à beira da falésia, percorrendo o oceano com os teus olhos que reflectiam a cor das águas límpidas.
Corri para ao pé de ti, preocupado, pois poderias estar a pensar em deixar-te simplesmente cair para o vazio, em direcção às rochas afiadas lá em baixo. Quando te peguei pelo braço, olhaste-me indignada, erguendo uma sobrancelha.
"Que é que quer, deixe-me!" Exclamas-te.
"Impedi-la de fazer algum dispara-te." Retorqui, sem hesitar.
"O quê?" Então, o teu olhar iluminou-se com compreensão e depois com um pedido de desculpa. "Oh, não, eu não me ia atirar do penhasco... Estava só a contemplar o Oceano."
"A contemplar o Oceano?" Perguntei, ainda intrigado.
Tu sorriste calorosamente. Os teus dentes brancos e perfeitos contrastavam com os teus lábios carnudos avermelhados. Eu não pude deixar de sorrir ligeiramente, mas não te larguei o braço.
"O meu pai... Partiu para a América, à procura de uma vida melhor. E todos os dias fico aqui, à espera dele." Contaste-me, timidamente.
Eu soltei uma exclamação de compreensão e soltei-te finalmente o braço. Tu deste um passo para longe da beira da falésia, fazendo o meu coração pesar um pouco menos. Algo dentro de mim tinha medo de te perder.
"Se quiseres poso fazer-te companhia." Ofereci.
Tu acenas-te afirmativamente com a cabeça, e puxaste-me o braço, sentando-te no chão, de pernas cruzadas, a olhar novamente para o oceano.
Assim ficávamos, tarde inteiras, a conversar. Fomos conhecendo-nos cada vez melhor. Eu era o teu confidente, quem ouvia os teus segredos, e tu eras quem ouvia o meus. Mas no fundo sempre escondia o quanto te amava.
Tinham passado cinco meses, quando soubeste que o teu pai já não conseguiria voltar da América. preso, por ter tentado roubar. Sentias vergonha e ao mesmo tempo preocupação para saber como é que ele estava. Eu tentava arranjar coragem para te contar o quanto gostava de ti, mas não conseguia.
Muito tempo passou. Dois, três anos? Não tenho a certeza. O teu pai continuava longe e sentias-te cada vez mais abandonada. Um dia, quando fui ter contigo à falésia, não estavas lá. Esperei por ti o dia inteiro. Só chegaste à noite. Eu sentia que havia algo de muito importante que tinhas para me contar. No entanto não insisti no assunto. Pouco antes de te ires embora, aproximaste-te de mim, sorrateiramente. Os teus lábios tocaram os meus com ternura. Finalmente fui capaz de contar o que sentia por ti. E assim que te pude ter, escapaste-me entre os dedos.
"Amanhã vou apanhar o primeiro voo para os Estados Unidos... Vou ajudar o meu pai." Contas.te, timidamente, com medo da minha reacção.
Algo nessa viagem me fazia sentir inseguro. Um mau presságio? Sim. Um mau presságio.
A noticia atingiu-me o peito com uma dor física, no dia a seguir. O avião onde ias, caiu. No meio do oceano, sem sobreviventes.
Isso passou-se há cinco anos atrás. Desde então que continuo a vir à falésia. Todas as tardes, à espera que apareças. Ainda te sinto ao meu lado. O cheiro dos teus cabelos encostados ao meu peito. O aroma dos teus vestidos. A suavidade da tua pele nas minhas mão. A melodia da tua voz. Ainda te sinto presente nos meus sonhos. Os meus sonhos... Tornam-se pesadelos, onde te tento alcançar e não consigo. Já nem quando durmo consigo encontrar a paz.
Dizem que o tempo cura tudo? Ah... como se enganam. Nem mesmo o tempo conseguiu apagar-te do meu coração. Não. Eu já nem se quer tenho coração. Morreu contigo, está contigo no oceano. Tu levaste-o, sem hesitar, levas-te o contigo para sempre. E tu estás comigo, sempre, aqui, agonizando a minha existência, por mais que tente dizer a mim mesmo que já desapareces-te, que te desvaneces-te na espuma do mar que tanto observavas e que esperavas trazer-te a vida antiga de volta, o mesmo mar que, no final, te tirou a única vida que te restava.
Agora, aqui, á beira da falésia, só quero encontrar-e de novo, reunir-me com o meu coração. Então, deixo-me cair e sinto o vazio ficar cada vez mais pequeno. Sinto-me a aproximar-me do meu coração, a ficar mais próximo de ti. Já te consigo ver na água, a sorrir-me convidativamente. Sorrio-te de volta. As rochas aproximam-se cada vez mais depressa. Cada vez mais perto de ti, mais perto, mais perto...
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Aqui eu, o Flávihist e o PtShadow, vamos postar as nossas pequenas histórias para lerem. Eu, Ptplayer, estou encarregue de gerir o blog, do design e também sou responsavel pela autoria de algumas histórias. Sou ainda o reponsável pela publicação de todas as histórias e, como tal, apareço sempre como o autor dos posts. Todas as histórias que não tiverem indicações acerca do autor foram publicadas por mim. O PtShadow é o corrector do blogue e também autor de algumas histórias
 

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