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domingo, 6 de junho de 2010

Segredo No Gelo (Capítulo 2)

Publicada por Anónimo à(s) 14:01
Capítulo 2
O pequeno grupo de quatro pessoas encontrava-se na tenda termicamente isolada. estava mais calor no interior do que lá fora, mas ainda assim, era uma temperatura desagradavelmente baixa. Vladimir, Chiharu e Jane observavam Norberto desenhar um esboço do animal, com uma imagem em tons verdes à sua frente. Ele abanou a cabeça negativamente.
- Parece-me ser um Dinossauro... Melhor, um réptil de tamanho colossal...
- E qual é a diferença entre isso e um dinossauro? - perguntou Jane, curiosa.
- Bem, os Dinossauros não sobrevivem no gelo. - Informou ele. - Nenhuma espécie conhecida de dinossauro tem capacidade de sobreviver congelada...
- Há mais alguma coisa que viva dentro de um bloco de gelo? - perguntou Vladimir, incrédulo.
- Sim... Alguns anfíbios têm uma proteína anti-congelante no sangue, que os impede de morrerem, caso congelem quando hibernarem. - Contou o biólogo. - Mas até agora pensava-se que isso tinha um limite até ao qual impedia o sangue de congelar.
- Já pra não falar no tempo que aquilo ficou sem comer...- comentou Chiharu. - Recebi os resultados das analises do gelo perto da criatura... cerca de duzentos e quarenta anos...
Se os músculos da sua face não o impedissem, o queixo de Norberto teria caído com um estrondo no chão. Até mesmo Jane e Vladimir sabiam que nada conseguiria viver durante tanto tempo sem comer.
- Como... ? Isso é impossível... - sussurrou Norberto.
- Eu sei... - concordou o japonês. - mas estes são os resultados do terceiro teste que foi feito e todos deram o mesmo resultado. Se queres que seja mais preciso, aquilo está ali em baixo há pelo menos duzentos e trinta e seis anos.
Mas o que é aquilo! - Exclmaou Jane, sentando-se. - Ainda não o conseguiste classificar?
- Não... só sei que é um réptil... - afirmou Norberto.

Acabaram por se dirigir ao local onde ainda decorria as escavações, agora de uma maneira mais cuidadosa. Norberto pediu ao homem que manuseava a escavadora para parar, e desceu para o buraco. o silêncio que se fazia era estranho naquela zona. Apesar de ser Verão, era frequente haver um vento gélido e cortante. Norberto calculou que aquele fosso estivesse abrigado do vento.
Jane seguiu de perto. Logo atrás dela vinha o Russo. O japonês acabou por se deixar ficar para trás.
- Mais um pouco, e já devem ter tirado todo o gelo... - Comentou a americana.
Norberto acenou afirmativamente, e aproximou-se ainda mais do gelo. Agora conseguia adivinhar o som grave dos lentos batimentos cardíacos da criatura moribunda. Ele aproximou a cara do gelo.
- Parece... que a cabeça está aqui... - E bateu com o punho no elo, produzindo um som abafado.
Estava prestes a erguer-se de novo, quando algo o assustou. No sitio onde tinha batido, algo se moveu. Por baixo do gelo ele conseguia ver a cor avermelhada da criatura. De repente, uma fenda amarela horizontal abriu-se no vermelho escuro, até ficar arredondada. No centro da bola amarela estava uma fenda preta. Uma... pupila. Era o olho. Fitando-o. olhando-o com uma raiva contida durante séculos, um ódio inimaginável acumulado nos sonhos daquele sono pesado no frio continente. De tal maneira, que Norberto se deixou cair para trás. Só então é que Jane e Vladimir se aperceberam de que a criatura tinha acordado.
segundos depois, ouviu-se um som que Norberto nunca imaginara que o iria assustar tanto na sua vida. O som de algo a estalar. O som de gelo a quebrar sob os movimentos impetuosos de algo aprisionado há demasiado tempo para ter misericórdia, apenas com espaço na mente para a carnificina.
Jane foi a primeira a conseguir pensar e a puxar os dois homens para a ingreme parede do buraco. Treparam desesperadamente, ouvindo o gelo estalar cada vez mais, retorcer-se e cair no chão, à medida que o animal finalmente se libertava.
Quando finalmente chegaram lá acima, já centenas de pessoas observavam, atentas, na borda do buraco.
- Não, temos de ir! Corram, não fiquem aqui! - exclamou Norberto, suplicante, mas sem que o ouvissem.
As pessoas estavam demasiado curiosas e atentas ao que se passava para lhe ligarem. Jane, decidida, agarrou-lhe o braço e correu, seguida de Vladimir, em direcção à tenda. Pouco depois, aperceberam-se que Chiharu já vinha atrás deles.
Norberto olhou um pouco para trás, e paralisou. A criatura erguia-se agora do buraco. Já todos fugiam. A sua cabeça munida com dois chifres olhava, virando-se para um lado e para outro, para aquela cena quase cómica de humanos a correrem desalmadamente pela planície de gelo. As suas patas enormes e poderosas içaram-no para ora do buraco onde havia estado preso. Algo nos seus movimentos parecia forçado e lento, como se apreciasse a liberdade recém-redescoberta. Aquilo era muito maior do que o biologo e os geólogos julgavam. A sua cauda era também musculada e terminava em quatro ameaçadores espinhos gigantescos. Ao longo do seu dorso estavam mais espinhos, que eram maiores o centro das costas e mais pequenos junto à cabeça e ao fim da cauda. Abriu ligeiramente a boca, deixando ver uma fileira de dentes recurvados e afiados. Então, soltou o seu primeiro rugido. O ar vibrou de tal forma que eles se desequilibraram. A criatura continuou a rugir. Agora tinham de tapar os ouvidos, pois o som já tinha passado a barreira do doloroso. E os olhos de Norberto escancararam-se quando o animal estendeu as suas colossais assas, sustentadas pelos dedos finos e compridos de um terceiro par de membros. Os dedos encontravam-se unidos por uma membrana fina e bem irrigada. Norberto não podia acreditar nos seus olhos. Só faltava que aquilo cuspisse fogo.
- Que os deuses nos ajudem, mas acabei de ter uma ideia do nome que devíamos dar a esta espécie... Dragão. Que tal? - comentou Jane, com um humor sádico e sem graça.
-Acho que encaixa perfeitamente... - respondeu Norberto, ainda atónito com o que observava.
- Adorei a sessão de piadas, mas não acham que é melhor irmos? - Perguntou o Russo. - É que o vosso bichinho de estimação está a vir apara aqui!
Só então é que os outros três se aperceberam que aquilo era mesmo verdade. O Dragão estava a dirigir-se para eles. Não. Não era para eles, pensou Norbert. Claro que não. Ele dirigia-se para a costa. Para o mar. Para os continentes que fervilhavam de vida humana. Ainda assim, correram para dentro da tenda, com se aquele tecido os protegesse do colosso que se passeava no exterior.
- Regra de Ouro para quem vai para a antárctica. - disse Chiharu. - Nunca tente soltar do gelo algo que ainda esteja vivo. Não dá com nada...
De repente, ouviam um rugido lamentoso da criatura e o chão tremeu após um estrondo gigantesco. eles correram para fora, para ver o que se tinha passado.

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