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segunda-feira, 22 de março de 2010

Lenda e Realidade

Publicada por Anónimo à(s) 15:11
Dia 1
Sorri para a rapariga de cabelos castanhos que se aproximava. Os seus olhos espelhavam a felicidade que ela sentia ao encontrar-me. O meu coração palpitou um pouco mais, depois de falhar uma batida ao vê-la.
Quando chegou perto de mim beijou-me, cumprimentando-me.
- Olá. - disse ela, com a sua voz melodiosa. - Os outros já chegaram?
- Ainda não - Respondi. - Mas devem estar mesmo aí.
Estávamos à espera dos nossos amigos: um rapaz alto, de cabelos pretos chamado Tomás; A sua namorada, uma rapariga carismática de olhos azuis e cabelos pretos, chamada Ana; um rapaz de cabelos loiros encaracolados de nome Marco, e um outro rapaz, o Gonçalo. Este último era baixinho, e acreditava num vasto leque de teorias sem um pingo de verdade. Sorri ao pensar nisto, ao mesmo tempo que o via atravessar a rua, em direcção à esplanada onde estávamos.
Vera, a rapariga que estava comigo, sentou-se no meu colo, observando o recem-chegado.
Cumprimentaram-se rapidamente, já que os outros três vinham a caminho.
Estávamos ali reunido para visitar uma mansão. Iamos ficar lá hospedados durante uma semana. Assim que Tomás, Marco e Ana se juntaram a nós, partimos, em direcção ao nosso destino.

Sorri, ao pousar as minhas malas no chão da entrada espaçosa de dois andares. Tomás e Marco partilhavam a mesma sensação de adoração daquela antiga e imensa casa que eu sentia. No entanto, os restantes pareciam apreensivos. Ana era a que menos fazia notar. Tomás trocou um sorriso traquinas comigo, que foi correspondido.
- O que foi? - Perguntou Vera, que tinha reparado no sinal. - Que é que andam a tramar?
Ana revirou os olhos. Ela já devia saber. A minha namorada cruzou os braços, e bateu com o pé no chão, provocando um eco algo irritante. Aquela era a sua maneira de dizer que estava à espera que lhe contássemos o que ela queria saber.
- Nada. - arrisquei. Mas ela não levou a minha mentira a sério. - Depois vês...
Ela agarrou na sua mala e levou-a para o quarto.

A noita já tinha caído há algum tempo. Eu estava com Tomás e Ana numa sala com uma mesa de bilhar e algumas cadeiras.
- Está tudo pronto? - perguntei.
- Sim. - diss ele. - Já tranquei as portas. Ele não foje.
- Vocês são doidos. - repreendeu Ana. - Sabem bem que não devem brincar com isso, e se precisarmos de fugir, não temos como o fazer.
Ele sorriu. Eu correspondi, e dirigimo-nos a uma porta, a um canto da sala.
- Mantêm-os no quarto, por favor. - pediu o rapaz.
Ela ergueu a cabeça, e saiu da sala. Nós dirigimo-nos à casa de banho. O espelho estava impecável.
- Para de rir. - disse ele, também a rir-se. - Asim não acontece nada.
- Olha. - repliquei. - tu também te tás a rir. E além disso, nunca aconteceu nada, não é agora que vai acontecer.
Ele revirou os olhos, e pediu-me para que tentasse ficar calado. Então bateu três vezes no espelho.
- Maria Sangrenta, Maria Sangrenta, Maria Sangrenta.
Um silêncio tenebroso fez-se sentir durante os minutos. Tomás tentou conter o riso. Eu não consegui.
- Parvo! - Disse ele. - Temos de repe...
A porta abriu-se de rompante, fazendo-nos saltar de susto.
- Parem! - gritou Vera, com lágrimas nos olhos. - Vocês são tao estúpidos.
A preocupação inundou-me, e eu corri atrás dela. Quando finalmente a alcançei, fi-la sentar-se no chão do corredor.
- São tretas, Vera. - acalmei-a eu. - Não é verdade.
- É.
O tom da sua voz fora tão decisivo que fez um arrepio percorrer-me a espinha.
- Quê? - balbuciei.
- A minha irmã mais velha...
Abraçei-a quase instintivamente. A irmã de Vera fora encontrada em casa, assassinada, três anos antes, quando eu a conhecera. Nunca tinham encontrado o assassino. Vera contou-me que tinha estado lá, e que a irmã se tinha metido com um espírito vingativo. Eu tentei acalmá-la, e acabámos por adormecer.

Dia 2
Ouvi passos ao fundo do corredor, e abri os olhos. Era Ana. Ela coreu para nós.
- Estão aqui, prócurámo-vos por toda a parte. Não fazem ideia do susto que apanhámos. O parvo do Gonçalo já saiu da casa. O Marco foi tentar convencê-lo de que não havia nada de mal.
- Nós não chgámos a fazê-lo. - afirmei, para tentar acalmálas.
Pareceram acrediar em mim. Quando finalmente me encontrei sozinho com Tomás, disse-lhe que não contasse que tinhamos chegado fazer o ritual, e ele concordou.

Estávamos todos reunidos na sala de jantar, a comer pizza. Até o Gonçalo tinha voltado da sua fuga, depois de saber que, supostamente, não havia nada a temer. Afinal ele tinha-se limitado a ficar perdido na mansão.
Estávamos a comer quando ouvimos algo a cair num dos quartos por cima de nós.
- Chiça. - preguejou Tomaz. - O poratil deve ter caido da cama.
Ele correu a socorrer a máquina, deixando-os a rir nervosamente por nos termos asustado com algo que era normal. De repente, Vera estremeceu.
-Não... Temos de o ir buscar. - exclamou ela, levantando-se e correndo atrás de Tomás.
Fomos todos atrás dela. Ele surpreendeu-se quando nos viu paraecer.
- Que foi?
- Estão todos aqui? - perguntou a minha companheira.
- Sim - respondemos todos. Excepto o Marco.
Vera trocou um olhar comigo, e avisei que ia ver dele. Quando cheguei à sala, não encontrei ninguém. Chamei por ele. A voz dele veio de uma sala ao lado.
- Vou á casa de banho, meu!. - exclamou ele.
O meu coração falhou um batimento, e o ar bloqueou-me a gargana. O ambiente começou a ficar gelado.
- Fogo, tá frio aqui. - riu-se Marco.
Eu queria mexer as pernas, mas elas estavam congeladas. As minhas cordas vocais estavam paralisadas, e eu só ouvia um gorgolejar indo da minha boca. Tentei chamá-lo. E, de repente, ele apreceu á porta, confuso.
- Meu... Tou com um mau pressentimento...
Da porta entreaberta conseguia ver o espelho. Ele olhou para minha cara. Asustou-se e seguiu o meu olhar. E viu-a. Uma silhueta, vestida com uma camisa de noite branca, ensanguentada. Os seus cabelos pretos tapavam-lhe o rosto que eu adivinhava estar desfigurado. Só a sua visão me metia medo. Marco estava a par das lendas, e sabia o que era, por isso, deu um salto para fora da casa de banho, e fechou a porta. Olhou-me com um misto de raiva e de desconfiança. As luzes tremeram, e finalmente apagaram-se. No escuro, senti a esmagadora pressão do silêncio, que foi curtado pela respiração de Marco, que lutava por manter a porta fechada.
- Não...Consigo... - Gaguejou. - Ajuda...me...
Ouviu-se um berro feminino dilacerante, e depois um grito de medo de um rapaz, o estrondo deuma porta e...silêncio. De novo o maldito silêncio. Um respiração, á minha frente, perto de mim. Senti-a. Ofegante. Desejosa que eu fosse a sua próxima vítima. Um relãmpago de luz atravessou a sala, e incidiu na aparição, que gemeu, e acabou por desaparecer. O reto do grupo aproximou-se de mim. Eu apenas conseguia ficar catatónico, a olhar para o lugar onde antes a vira. Só respondi a uma voz.
- Amor... - sussurrou Vera. - Já passou...

Dia 3
Ninguém dormiu nessa noite. Quando finalmente chegou o dia, todos, excepto eu, procuraram por Marco. Finalmente, entraram de novo no quarto.
- Ele deve-se ter ido embora. - disse tomás, despreocupado.
Eu acenei negativamente, e olhei-o nos olhos.
- Não a vi, mas senti-a a matá-lo.
Até eu me arrepiei com o tom da minha própia voz. Vera levantou-se.
- Mentiste... Eu vou-me embora, avisei-vos que não deviam brincar com isso.
-Eu já fui. - rematou Gonçalo.
- É o melhor. - conordou Ana.
- Como queiram - sussurrou Tomás.


Eles voltaram pouco depois. Vinham em pânico.
- As portas... Estão trancadas. - disse Ana.
Tomás, que tinha ficado comigo, revirou os olhos.
- As chaves estão... - ele hesitou. E eu esbugalhei os olhos.
No dia em que ali chegáramos, estavamos na casa de banho, quando a invocámos. Com o susto, ouvi algo metálico cair no chão de azuleijo0. Deviam ser as chaves.
- Deixaste-as cair... - começei...- na casa de banho.
Todos se abateram com a noticia. Gonçalo gritou.
- Eu vou buscá-las.
-Não! - berrrou Vera.
Mas ele já tinha saido de lá.
-É de dia, sussurrei. - temos de aproveitar enquanto ainda temos luz.

Finalmente, voltou a escurecer. Gonçalo ainda não tinha voltado. Decidimos procurá-lo. Todos juntos. Tinhamos levado o dia inteiro. Mas nada. Pelo menos ele tinha as chaves, porque também não as tinhamos enontrado onde deviam estar. No entanto, tivémos de voltar para o quarto ao cair da noite. A única fonte de luz era uma lanterna.
Alguém bateu à porta do quarto. Uma batida leve. Vera abraçou-me. Olhei para a nossa fonte de luz.
- Se fosse ela, já estávamos ás escuras. Deve ser o gonçalo.
Ana levantou-se, e coreu para a porta. Quando a abriu, não viu nada. Eu e Vera, que estávamos sentados no chão, fomos os primeiros a vê-lo rastejar pelo chao... sem pernas. As suas entranhas arrastavam.-se pelo soalho, e Vera abafou um grito contra o meu peito. De repente, a luz apagou-se e ouvimos algo a arrastar pelo chão. Ana gritou, e ouvimos o corpo dela cair com um baque surdo. Um grito de dor saiu da garganta de Tomás. Eu peguei na lanterna e voltei a acende-la. Tomás estava em estado de choque, sentado no chão, e Gonçalo e Ana tinham desaparecido.
- Tenho de a ir buscar.
Dizendo isto, ele saiu a corer. Eu e Vera ficámos paralisados sem saber o que fazer. Esperámos um pouco. A lanterna voltou a aapagar-se. O frio esmagador abateu-se de novo sobre mim. Senti-a entrar no quarto. O coração de Vera batia descompassadamente, enquanto tentava desesperadamente acender a luz. Senti a sombra da assombração á minha fente. E de repente, uma respiraçao gélida e mórbida, acertou-me na cara. O sangue gelou. O coração parou. Ao longe, ouvi o grito suplicante de Vera, que acabou também por cessar. Senti-me de repente muito leve. O meu corpo, já não me pertencia. A minha alma, estava aprisionada.
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