Sexta-feira, 13 de Julho
Foi o dia do meu primeiro casamento, com o Diogo. Os meus pais não gostaram muito da ideia porque a minha irmã, que Deus a tenha em bom descanso, foi infectada com o HIV, pelo seu antigo namorado, e eles têm medo que se volte a repetir o mesmo. Quando os meus pais descobriram nem queriam acreditar, e ela por vergonha, ou por medo, saiu de casa, desligando-se assim de nós. Nem uma única carta nos mandou, sim porque o número de telemóvel já nem existia. Sou sincera, eu também a desprezei um pouco. A minha família é muito materialista só as pessoas da alta sociedade é que interessam e como o meu grande amor da minha vida é da classe média, eles trocem um pouco o nariz. Tenho pena que a Ana, a minha irmã, não tenha visto como foi tão bonito este dia. O dia mais feliz da minha vida. Como eu compreendo os meus pais… O que aconteceu à treze anos atrás voltou-se a repetir, mas, desta vez, de maneira mais alegre e festiva. Foi há treze anos que minha irmã saiu de casa desamparada e nunca mais se soube do seu paradeiro. Passado um ano é que a vi, já sem vida, dentro do caixão dando-lhe o último adeus. E foi nesse mesmo ano em que conheci o Diogo num bar nocturno, e desde esse dia, eu senti-me atraída por ele. E passado um ano encontro-me eu casada com ele. Sou sincera ele faz-me as vontades todas só para eu me sentir bem. Hoje quando acordei parecia, que estava num conto de fadas era o dia do meu casamento, ouvia os gritos da minha bem a discutir com os empregados contratados de propósito para o casamento. Sim porque a minha querida Elisabete a cozinheira, não dava conta do recado, mesmo com a ajuda da Eva a nossa empregada que faz as limpezas deste palácio, a casa é enorme. Ainda me lembro que quando era pequena eu e a minha irmã jogávamos às escondidas, e eu passei mais de duas horas à sua procura, e ela estava escondida no quarto onde se encontravam todos os nossos vestiditos de gala. Hoje ao descer as escadas de semicírculo que dão acesso ao principal hall e majestoso da casa, com o meu magnifico vestido de noiva branco todo em ceda e cetim e com uma tiara de prata que me prendia o cabelo, umas luvas brancas que passavam para lá do meu cotovelo, segurando delicadamente o corrimão e descendo da mesma forma. Só tinha medo é que o salto alto se partisse e caísse das escadas. Era vergonhoso à frente de tanta gente ilustre. Mas para minha sorte nada de anormal acontecera excepto a terrível vontade de ir à casa de banho, depois de seis copos de champanhe digeridos no meu frágil estômago, que me atacou de imediato a minha cabeça, apanhado uma bebedeira. Nem sei como consigo escrever direito já estou tão cansada. Mas não quero deixar de reviver este dia, mais tarde. Continuado, enquanto o padre nos casava junto ao magnífico lago no jardim das traseiras da casa. Eu fiz um enorme esforço para não rir, porque era o que me apetecia fazer, naquele momento. A minha família, teve toda presente até os meus tios de terceiro grau vieram de propósito de Genebra, para me verem casar. Pela primeira vez vi os pais do Diogo, sentados na primeira fila do altar improvisado, ficai radiante pelos, ver. A minha prima ofereceu-me um Lexus um carro magnífico, era mesmo o que eu queria mas ainda não tinha a carta de condução já chumbei mais que uma vez nela. Que vergonha e já tenho trinta e seis anos de idade. Nunca me senti tão bem na vida com hoje. Foi mesmo um sonho nunca antes sonhado, tornado realidade. Ainda me lembro do dia em que o Diogo me pediu em casamento, estávamos a jantar no bar onde nos tínhamos conhecido. Nunca pensei! Já passaram três horas desde que a festa terminou, a minha mãe alugou uma limusina de cor branca, para nos levar ao hotel. Uma entrada em grande estilo. Agora estou deitada em cima da cama rodeada de almofadas de penas e lençóis de ceda à espera do Diogo que foi fazer umas compras. E enquanto isso eu já estou pronta, e arranjada para a nossa primeira noite depois de casados. Espero que ele goste!
Sábado, 14 de Julho
A noite passada já deves imaginar, como deve ter sido, é como se tivesse ido ao céu e voltasse num curto período de espaço de tempo. Maravilhoso! Ele já devia estar à espera que eu me esmerasse só para ele. Hoje acordei e apalpei a cama, abri os olhos assustada por não sentir o corpo dele junto do meu. Ele não se encontrava na cama. Mas deixou-me um bilhete escrito apressadamente onde dizia que já vinha. Fiquei menos, preocupada. Já tinha um pequeno-almoço luxuoso em cima da mesa de jantar à minha espera. Mas primeiro tirei um lençol da cama e enrolei-me nele e fui para a casa de banho tomando banho num jacuzzi. Enquanto tomava o pequeno-almoço, recebi um SMS do Diogo onde dizia para eu me dirigir à recepção do Hotel. Achei estranho, mas fui. Dirigi-me ao recepcionista e perguntei-lhe se sabia do meu marido. Ele disse que se encontrava lá fora à minha espera. Quando passei pela porta rotativa, estava um carro igual ao meu parado mesmo em frente a mim. Olhei de imediato para o condutor. Era o Diogo, e aquele era o meu carro, que tinha deixado em casa, tal e qual como o tinha recebido, só me falta tirar novamente a carta. Ainda não tinha percebido porque é que ele se deu ao trabalho de ir lá a minha casa buscar o carro. Só quando entrei e o carro se pôs em movimento é que o Diogo me disse onde ia-mos. Ele já arranjou uma casa para nós morámos, tinha a certeza embora ele não me tivera dito isso, desculpou-se dizendo que íamos dar uma volta. Não parava de pensar como seria a casa. O passei de carro estava a tornar-se demorado já estávamos fora do limite considerável, a cidade já tinha ficado para trás e agora só se via eram vacas e campos de cultivo. Até que… O carro saiu da via rápida e o Diogo levou-nos para uma estrada de terra seca, tanto pó que se erguia. O carro fez uma travagem tão brusca, parando à frente de um portão de madeira, quando ergui a cabeça depois da travagem, avistei uma quinta mesmo à minha frente a casa era grande mas não tão grande como as dos meus pais. É a casa prefeita, disse-lhe dando um enorme beijo até não aguentar mais. A casa tem imensas divisões até tem uma cave e um sótão, mas o pó já está limpo e o Diogo, divertimo-nos imenso a limpar a casa até já me esquecia das regras de etiqueta que os meus pais me obrigavam a usar. Neste momento sinto-me como um pássaro, a fugir da gaiola, e a conhecer um mundo novo. SINTO-ME COMPLETAMENTE LIVRE! O Diogo ensinou-me a voar, para nunca mais aterrar. Ele tornou-se o meu chocolate, a minha grande tentação durante a noite. Cinco segundos na garganta, cincos anos na anca. Agora é cinco segundos na boca (por vezes mais), para me ficar eternamente no coração. Estou cada vez mais FELIZ. AMO-TE DIOGO!
Domingo, 15 de Julho
A noite passada foi igual à noite anterior. Não tenho palavras ele é único, depois adormeço que é uma maravilha ele sabe-me por bem. Já liguei aos meus pais a dizer que já não estou no Hotel e que o Digo, já foi lá fazer o check-out, eles estão mortos para verem a casa. Mas ainda é cedo para virem cá, ainda falta comprar alguma mobília, para estar minimamente uma casa apresentável. Foi tão bom acordar ouvindo os pássaros a cantar empoleirados junto à janela, e nas árvores em volta da casa. Enquanto o Diogo foi ao Hotel fazer o check-out, eu ficai por casa, andei a bisbilhotar todos os cantos da casa, para a conhecer melhor. Reparei que casa, não era nova, já deve ter havido aqui outra família a morar antes de nós, porque todos os quartos estavam mobilados. Quando o Diogo veio do Hotel fomos fazer umas compras ao supermercado da cidade. Enquanto preparava o almoço o Diogo estava de tronco nu lá fora a cortar lenha com um machado, porque esta casa à noite torna-se bastante fria e húmida mesmo em pleno mês de Julho. Quando já nos encontrávamos a almoçar, perguntei-lhe se sabia quem morava ali antes de nós. Achei estranho, a sua reacção, respondeu-me de uma forma desagradável, dizendo que não sabia mas de uma forma brusca. Passou-se… Enquanto dava uma volta pela quinta, para não sentir a barriga tão pesada, olhei para a casa deslumbrando-a, e de súbito vi uma sombra a passar por entre os cortinados de um quarto que estava vazio, mas continuava a ouvir o Diogo a cortar a lenha com o machado, ficai alarmada e quando dei a volta a casa para entrar pela porá principal reparei que o Diogo já não estava a cortar a lenha nem se encontrava ali por perto. Fui apressadamente até porta principal da casa. Foi quando parei e olhei para o chão e vi, gostas de sangue espalhada pelo chão. Ficai apavorada. Muito lentamente segui as gotas de sangue, sem fazer qualquer tipo de vez mais me sentia assustada e cheia de medo. Até que ouvi um barulho de água a barulho, subi as escadas e atravessei o corredor, só via era gotas de sangue no chão, cada correr. Por acaso o sangue ia ter ao encontro desse mesmo barulho que vinha da casa de banho. A porta estava entre aberta e eu chamei pelo Diogo ao pé dessa mesma porta. Mas não obtive qualquer resposta. Empurrei com uma mão a porta lentamente, ela rangeu, até que ficou completamente aberta e eu com o meu coração a bater a duzentos à hora, olhei para o interior da casa de banho de repentinamente, mas não se encontrava lá ninguém. Só estava o lavatório cheio de sangue com a torneira a aberta. E nesse momento, surge o Diogo por de trás de mim, perguntando o que foi. Foi o maior susto em toda a minha vida! Acredita. Foi só o Diogo que se tinha cortado no dedo com o machado, dai o sangue no chão, e ele para o estancar passou o dedo por água e enquanto foi ao quatro buscar um penso deixou a torneira aberta. Ao jantar tive que lhe cortar a carne, porque ele não conseguia, eu insisti para o levar ao Hospital mas ele não quis. Agora está-me a mandar apagar já a luz.
Segunda-feira, 16 de Julho
Hoje de manhã não acordei muito bem-disposta, acordei com uma espécie de mau pressentimento. E agora percebo o porquê desse mau pressentimento, os meus pais fizeram-me uma surpresa. Apareceram, aqui em casa e nós estávamos a almoçar. A minha mãe inspeccionou a casa toda, enquanto, que o meu pai falava com o Diogo nem sei muito bem sobre o quê. Enquanto a minha mãe via a casa eu aproveitei para ir ao supermercado da cidade e comprar qualquer coisa de apresentável para o lanche. Não lhes ia dar pão com fiambre ou queijo. Fui muito rápida em ir e vir, ninguém sentiu a minha falta, excepto o Diogo que me viu a sair velozmente. Achei o Diogo muito tenso, durante o lanche parecia que estava a fazer risos forçados. A minha mãe gostou da casa mesmo assim quase sem móveis, o meu nem por isso, e deu-me um cheque com uma quantia elevada para mobilar a casa. Como é obvio não recusei toda a ajuda é bem-vinda. Começou agora mesmo a chover e bem. Ainda bem que já e de noite. Até os vidros das janelas estremecem com a força do vento. Por acaso não estava à espera que chovesse estava um belo dia de sol. O Diogo dorme que nem uma pedra, nem acorda com o barulho do vento a soprar dentro de casa. AGORA ESTOU COM MEDO! Está uma porta a ranger lá em baixo e esta está a estremecer por tudo o que é sítio, é o barulho lá de fora e cá de dentro. ESTOU COM MEDO! Vou lá a abaixo ver como estão as coisas… Voltei! Era a porta do escritório que estava aberta. E deixei a janela da casa de banho aberta, o corredor está alagado, tive que limpar os pés os lençóis ainda apanho uma constipação. Não consigo dormir há pouco estava tão sem me preocupar com nada agora, estou neste estado ainda bem que te, tenho a ti se não dava em loca, és o meu desabafo. Acabei de ver algo através da parte de baixo da porta, foi uma sombra a passar pelo corredor. SERÁ QUE ESTOU A FICAR LOUCA COM O MEDO? Vou ver se alguém entrou dentro de casa. Às vezes pode ser um ladrão. Neste momento estou a escrever e a segurar o candeeiro apontando-o em direcção à porta em cima da cama, a água do corredor já passou por de baixo da porta do quarto. Mas espera aquilo não é água é sangue. Ó meu deus! Só me apetece gritar! Será que o deva acordar? Não! Vou ver o que se passa, deixei os meus chinelos lá em baixo.
Terça-feira, 17 de Julho
O que aconteceu ontem à noite, não passou, da minha fértil imaginação o Diogo contou-me tudo o que aconteceu. Sim, porque eu não me lembro de nada, quer dizer, o que escrevi ontem, tenho aqui apontado, mas depois levantei-me, e o Diogo foi dar comigo caída no corredor molhada por causa da água que entrou enquanto a janela da casa de banho estava aberta. Ele diz que eu gritei, o que o fez acordar, e ir ver o que se passava. Foi quando me viu caída no chão e me colocou na cama, completamente nua. Eu não lhe contei uma coisa, MENTI-LHE PELA PRIMEIRA VEZ! Ele perguntou-me se estava tudo bem e eu disse que sim, o que ele não sabe é que eu não estou bem, e o que vi ontem depois de me ter levantado, e antes de desmaiar, é a única coisa que me lembro ter visto foi, escrito com sangue na parede branca do fundo do corredor o seguinte: FOI ELE QUEM ME MATOU! Eu tenho a certeza que isto estava escrito na parede, foi por isso que eu desmaiei, só pode. Mas ele quem? Não percebi a mensagem e quem é que “ele” matou? E quem é que escreveu aquilo e apagou? Dês de ontem à noite que não estou bem ando com medo. O digo não se apercebe de nada, se eu lhe for a contar isto diz que eu estou loca. O QUE É QUE EU FAÇO? Tenho medo de adormecer e de ficar acordada. Durante todo o dia andei de olhos bem abertos em toda a casa, para ver se via aquela sombra. Ou será que essa sombra também será imaginação minha? A sério não me ando a sentir bem, é do medo, muito medo, só de me lembrar do sangue a entrar no quarto, como me deve ter custado a pisá-lo, bem mas não passa tudo de uma mera imaginação minha. Seja como for hoje já liguei para uma senhora que trabalha numa empresa de fenómenos do oculto, para verem se existe aqui alguma presença demoníaca. O Diogo não sabe de nada, se não dizia que estava loca e com razão mas eu preciso de ter a certeza que é tudo da minha cabeça. Amanhã o Diogo vai, comprar as mobílias para casa e vai estar a tarde toda fora. Eu menti-lhe novamente dizendo que ia até casa dos meus pais. Vamos ver como é que corre amanhã o dia. Quarta-feira, 18 de Julho Quando acabámos de almoçar, o Diogo foi à cidade ver e comprar mobílias para casa, levou o cheque consigo, para depositar na minha conta. O meu pai não quis que abríssemos conta conjunta. Ele pensa que o Digo gosta de mim por interesse e não por amor. O que é mentira, e tu sabes disso melhor do que ninguém. Mas quero-te contar a parte mas importante do dia, a chegada da equipa de fenómenos do oculto. Eu nem quis acreditar no que estava a fazer. A contratar uma equipa para verem se tenho fantasmas ou coisa do género, dentro da minha própria casa, para eu voltar a dormir mais sossegada. Eles demoram mais ou menos quatro horas, o meu coração palpitava de adrenalina com medo que o Diogo aparecesse e os visse. O que será que ele ira pensar? Que eu estaria maluca. Mas para meu alívio, ele não chegou a tempo para os ver. A senhora que revistou a casa de uma ponta à outra com a ajuda de um aprendiz e com um, aparelho próprio para a detecção de espíritos, ou de más energias, coisas desse género. Eu estava envergonhadíssima, eles deviam pensar que eu estava doida e que precisava de me internar. Desculpa eu insistir mas eu estou, loca, doida, paranóica… Não sei o que se passa comigo, a sério. Dês da daquela noite, que não voltei a ser a mesma. Tudo por causa da minha estúpida imaginação. O que eu temia, tornou-se verdade a senhora, estava com cara de caso, quando terminou o serviço e aproximou-se de mim lentamente enquanto o seu aprendiz levava o material que fora necessário utilizar para o serviço. Eu estava já em choque mesmo antes de receber a notícia. Ela dissera-me com toda a firmeza, mágoa, e medo, o que se estava a passar aqui em casa. Eu vou simplificar o que ela disse de forma clara e directa, que a casa tinha uma presença (espírito) revoltada. E eu contei-lhe o que tinha visto naquela noite terrível. Ela dissera que era normal, era o que o espírito queria que eu visse, para me meter medo e eu sair da casa, a senhora aconselhou vivamente a fazer isso, porque não á nada pior que viver com um espírito revoltado, podendo até mesmo nos matar. É isso que o espírito quer, que eu e o Diogo saiamos da casa para o espírito ficar em paz. Até ai tudo bem. O problema é: Como é que eu vou dizer ao Diogo que a casa está assombrada, e que nós temos que sair daqui o quanto antes? Ele não vai acreditar em nada, vai dizer para eu ganhar juízo. MAS AO MESMO TEMPO AS NOSSAS VIDAS CORREM GRANDE PERIGO! O QUE FAÇO?
Quinta-feira, 19 de Julho
Acordei pálida e com medo, sem saber o que dizer ao Diogo. Ele já tivera se apercebido de que eu, não andava bem. Ele perguntava sempre o mesmo “Estás bem? Precisas de ajuda?” E eu sempre abanando a cabeça negativamente. Depois de ontem… como é que haveria de andar bem. A minha mãe voltou a fazer-me uma visita inesperada. Mas desta vez veio sozinha, o meu pai não pudera vir. Acho que ela já se, habituou-o à ideia de eu ter a minha própria vida, de viver independente com o amor da minha vida o Diogo. Tivemos uma conversa de mulheres, na qual o Diogo dispensava entrar, e disse-me enquanto conversava que iria dar uma volta. Ele percebeu que eu queria ficar a só à conversa com a minha mãe. Da última vez que cá esteve não tivemos muito tempo para por a conversa em dia. Mas já tinha saudades de conversar com alguém amigo. É nestas alturas em que vejo a falta que faz ter um amigo. Já tenho saudades da minha irmã, era com ela com quem eu desabafava, foi a ela a quem eu contei, que me tinha tornado mulher, foi quando me saiu a primeira vez o período não tinha coragem de ir falar com a minha mãe, então contei-lhe a ela, fartamo-nos de rir à custa do período. Se ela fosse viva era com ela com que eu iria falar sobre esta assombração, e não contigo meu querido diário. Tenho tantas saudades dela. Porque ao fim ao cabo nunca tive grandes e verdadeiros amigos, neste momento só tenho os meus pais e o Diogo. Eu sei que o Diogo é meu marido, mas antes disso é o amor da minha vida e antes disso tudo era o meu melhor amigo depois da morte da minha irmã. Mas o Diogo é mais o amor da minha vida do que amigo. Porque amar alguém é completamente diferente de ser amigo. Porque uma amizade verdadeira vale mais que o amor, enquanto, que o amor não vale mais que amizade. Eu e muita gente, tenho a certeza que nunca ia perder uma amiga por causa de um rapaz, e vice-versa. Conheço pessoas que cometeram loucuras por amor perdendo todos os amigos e que no fim acabaram por perder a pessoa de que mais gostavam, concluindo perderam tudo o que é mais importante. Eu sou sincera, eu fui tão má para a minha querida irmã o que ela deve ter sofrido com a nossa rejeição, quando descobrimos que ela tinha HIV. Acabando por morrer só. O tempo só ajuda a sara as feridas, porque elas continuam sempre no mesmo sítio, deixando de doer com a mesma intensidade, mas continua-se a sentir a dor. Ainda não tive coragem de falar com o Diogo. Ele quando disse que ia dar uma volta mentiu-me, foi buscar um cão ao canil, muito bonito. Alto, de cor castanho claro quase amarelado, com uma cara doce e muito meiga. Eu ficai radiante, e o Diogo também. Baptizamo-lo com o nome de Loy. Acho o nome adequado para ele e o Diogo também gostou. Bem! Vou dormir, já não tenho mais nada a dizer de interessante.
Sexta-feira 20, de Julho
Estou no Hospital! Vou passar cá a noite. Ok! Tenho muito para explicar, eu sei, vou ver se consigo, porque as minhas forças são poucas, devido à miséria de comida que comi. Não é novidade nenhuma, que a comida dos hospitais não vale nada. Eu vim cá parar porque levei um tiro, do Diogo. Calma, ele não me quis matar longe disso. Foi só um acidente, ele pensava que a casa estava a ser assaltada porque o Loy estava a ladrar intensivamente, e foi de imediato buscar a caçadeira, dirigindo-se para o exterior da casa ver se via alguém. Eu estava a dormir, e acordei com um tiro, levantei-me e fui à janela ver o que se passava, quando me aproximei da janela, segundo o Diogo como estava escuro a minha pessoa fez sombra na janela o que o levou a pensar que eu fosse o ladrão e disparou contra mim, acertando-me com a bala bem no centro do ombro. Caí de imediato no meio do corredor, acabando por ficar inconsciente. Ele fartou-se de chorar a meu lado, não se conformando. Estou fora de perigo e já me retiraram a bala, embora tenha perdido algum sangue não à necessidade de uma transfusão de sangue. Só preciso de repouso, e fazer o mínimo de movimentos possíveis com o braço alvejado. O Diogo teve que se ir embora, porque não o deixaram ficar aqui a dormir. Ele não ficou nada satisfeito com a situação, mas regras são regras. Embora raramente não sejam cumpridas. Agora vou tentar dormir, o Diogo comprou-me uma caixa de chocolates. Já me esquecia, os meus pais quando souberam do acidente fizeram um pé-de-vento com o Diogo. Acusaram-no de tudo coitado. Se não fosse eu a por ordem neles ainda havia aqui zaragata, agora é que os meus pais nunca mais vão perdoar o Diogo pelo incidente. Agora vou saborear os chocolates. E ao mesmo tempo pensar como vou resolver este assunto entre eles. Os meus pais já perderam uma filha, por isso é perfeitamente compreensível, as suas atitudes perante o Diogo, embora eu não goste.
Sábado 21, de Julho
A minha vida está um caos! Os meus pais, ao que se suspeita foram envenenados, e morreram os dois ontem à noite. Quero MORRER! Perdi a minha família de sangue, o Diogo dês de, ontem que anda estranho já não parecendo o mesmo. Parece que anda mais distante, embora estagie presente fisicamente. Eu só não percebo porque é que os mataram, com que intenção, e principalmente quem foi o culpado. Eu ainda estou em choque nem acredito, é doloroso de mais, explicar o que estou a sentir neste momento. Quero MORRER! Sinto que o meu fim se aproxima, eu não merecia. Mas já que aconteceu… PORQUE É QUE NÂO FUI EU EM VEZ DELES? Só me resta o Diogo, é a única família que tenho, mas eu já não quero viver mais nesta angústia, JÁ CHEGA! Primeiro a minha querida irmã, e agora os meus pais ao mesmo tempo. A minha vida não poderia estar pior, já não me pode acontecer mais nada de mal. Eu só não me mato por causa do Diogo, ele não tem culpa nenhuma do que está a acontecer, e não quero que ele passe o mesmo que eu estou a passar. O funeral é na terça-feira.
Domingo 22, de Julho
NÂO SEI O QUE FAZER! JÁ NÃO AGUENTOOOOOOOOO! ESTOU FARTA! Hoje, enquanto limpava a casa para me distrair, pedi ao Diogo para ele ir dar uma volta, para eu ficar só, para por a cabeça em ordem, para afastar os fantasmas do passado. Mas em vez disso voltei ao passado, como se tivesse entrado numa máquina de teletransporte e que me levasse ao meu passado onde ao que parece, ficou muito por explicar. Perguntas às quais não ouve respostas. Não dá para acreditar no que vou dizer até parece tirado de algum filme de terror, como podes ver tu és o meu M.A (melhor amigo), sem descarregar os meus desabafos nestas tuas páginas, de certeza que a esta hora estaria a fazer companhia à minha irmã, e aos meus queridos pais. Até me vai custar dizer isto, até me dá agonias. Quando me encontrava a limpar um quarto vago da casa, enquanto estava a fazer a cama reparei que no roupeiro embutido na parede mesmo em frente à cama escorria sangue pela porta fazendo uma poça no chão. Assustada e com receio abri a porta velozmente sem êxito, não se encontrava nenhum corpo ou algum outro tipo de ser vivo a deitar sangue. Até que olhei para baixo e vi um saco preto, caído e aberto, era daí que o sangue escorria para fora do roupeiro. Resolvi vasculhar esse mesmo saco, com nojo de lhe tocar. Quando lhe tocai este cai para o chão, deixando a olho nu o que se encontrava no seu interior, que era nem mais nem menos que um pedaço de um corpo humano… um braço sem mão, para ser mais explícita. Não dá para acreditar, mas é verdade. E não fico só por aqui, depois sai logo dali para vomitar, olhei para o espelho da casa de banho depois de vomitar e vi reflectido o rosto da minha irmã. Ela parecia horrorizada, com qualquer coisa, como se ela estivesse com medo de algo, não sei. Mas depois desapareceu. Eu agora estou no mesmo hotel, onde passei a minha primeira noite depois de casada. Não sou capaz de ficar mais um dia que seja naquela quinta endiabrada. Deixei um bilhete ao Diogo em cima da mesa de centro a dizer onde me encontrava, mas menti-lhe pela segunda vez. Disse que me encontrava na casa dos meus pais e que ia passar lá a noite. Preciso de estar só, sem ninguém por perto e conhecido. Assim se ele quiser ir ter comigo, não me vai encontrar. Eu sei que o vou deixar preocupado, mas eu preciso de estar só.
Segunda-feira 23, de Julho
Eu fui à quinta hoje de manhã de táxi, para saber do Diogo mas ele não se encontrava lá. Achei estranho. Enquanto esperava pelo seu regresso dei uma volta pela casa, estava cheia de medo. Ao andar pelo corredor do piso superior deparei-me com uma porta entreaberta de um dos quartos vagos, espreitei com receio e no chão encontrava-se um vestido. Eu reconheci-o de imediato, era o vestido de baptizado da minha irmã, só que, estava manchado de sangue. Olhei em redor do quarto e as portas do guarda estavam abertas mas não havia roupa nenhuma no seu interior, a não ser a cabeça cortada e tombada da minha irmã. Fugi! Comecei a vasculhar a casa de uma ponta a outra em busca de explicações, como é que pedaços do corpo da minha irmã podem estar escondidos pela casa. Só quer dizer que ela foi assassinada, e o corpo que esta no caixão não é dela. Encontrei na cave as mãos e as pernas, escondidas numa arca de madeira cheia de pó. AGORA TUDO FAZ SENTIDO! FUI UMA INGÉNUA! A MINHA IRMÃ SEMPRE-ME AVISOU, MAS EU NÃO SOUBE JUNTAR AS PEÇAS DO PUZZLE. FOI O DIOGO QUEM OS MATOU, E AGORA EU ESTOU GRÁVIDA DAQUELE BANDIDO! Qual o passo a seguir, fugir e ir para a esquadra mais próxima denunciar o caso. Enfrenta-lo? Não sei se sou capaz…
Segunda-feira, 13 de Julho
Olá! Sou o Rui filho da Sofia, tenho 13 anos. Acabei de encontrar este diário da minha mãe, é assustador, ela nunca me contou a verdade. Este diária estava escondido por de baixo do estrado de madeira. Agora perguntas-me e como é que eu o encontrei, simples deixei cair uma moeda que ficou presa no estrado então eu resolvi arrancar a tábua e encontrei-o. A minha mãe esta casada, com um arqueólogo que neste momento está em Inglaterra a fazer um trabalho profundo de investigação. Não sei o que aconteceu mais a não ser o que está escrito neste diário , por isso fico só pela imaginação…

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