Capítulo 4: Um Pecado Mortal
Quando finalmente tinha caído num sono leve, o carro começou a abrandar, até que travou, o que me acordou.
Olhei para Anabela, que praguejou. Quando olhei para os mostradores do carro vi o que se passava. Tínhamos ficado sem gasolina. Olhei à minha volta. Apenas se viam árvores. A estrada serpenteava monte acima, no cimo do qual se encontrava uma aldeia.
– Podíamos ir até lá. – Sugeriu Carlos, seguindo o meu olhar.
– Talvez. – Concordou Anabela.
Saltámos do caro, felizes por finalmente podermos esticar as pernas. Mas de pressa nos pusemos a caminho da Aldeia, indo pela berma da estrada, prontos a agir se fossemos atacados por qualquer coisa que viesse da mata ao nosso lado.
Assim que fizemos a primeira curva, um Jipe preto chamou-nos a atenção. Estava parado quase dentro do bosque e parecia abandonado. Mas então ouvimos um lamento vindo do interior.
Eu e Carlos corremos para lá, mas Anabela chamou-nos.
– Tenham calma. Pode ser uma armadilha.
Carlos acenou afirmativamente e avançou de novo, mas desta vez mais cautelosamente. Quando se aproximou, uma rapariga com os cabelos castanho avermelhado surgiu do outro lado do carro. Ela olhou para nós, surpreendida por nos ver.
– Oh. – Disse ela, inocentemente. – Olá. Podiam ajudar-me? O meu carro avariou.
Eu olhei para ela, desconfiado. Algo me dizia para ter cuidado com ela. Observei-a mais atentamente. Vestia uma blusa branca cujas mangas chegavam a meio do antebraço. Usava uma minissaia azul clara, justa na cintura, mas pregueada no resto do corpo que cobria. Calçava umas botas de montanhismo. Fora esse pormenor de o seu calçado não combinar muito com a roupa, nada parecia anormal, por isso aproximei-me.
– O nosso carro ficou sem combustível, estávamos a ir para a Aldeia.
Ela observou o aglomerado de casa que eu indicava com o dedo. Algo na expressão dela mudara, mas eu não me apercebia porquê. Quando olhei de novo para o carro, outra suspeita atravessou o meu Cérbero. Ela não parecia ter mais do que a minha idade. Mas como é que uma rapariga como ela de dezasseis anos poderia conduzir um veículo daqueles?
– Têm algum adulto com vocês? – Perguntou a rapariga, antes que eu pudesse falar.
Anabela hesitou. Ela também se apercebera do que eu tinha descoberto. Carlos afastou-se um passo. Ele agora não tinha poderes e, como tal, preferia não arriscar a vida a entrar numa luta.
– Não deviam viajar sozinhos. – Começou ela. Mas parecia-se mais como um conselho, não como uma ameaça. – Eu levo-vos até à aldeia.
A tensão que se sentia no ar parecia esmorecer-se lentamente. Anabela foi a primeira a apresentar-se.
– Eu sou a Anabela, e estes são o Carlos e o Alexandre.
– Eu sou a Gabriela. – Respondeu a rapariga.
Quando ela se virou de costas, eu, Carlos e Anabela aproximámo-nos um pouco e começamos a falar baixo, enquanto a seguia-mos.
– Há algo nela… Que é estranho. – Acusou ela.
– Também acho… – Concordei.
– Os olhos dela… Fazem-me lembrar qualquer coisa, mas não sei o quê.
Observei-a atentamente. Assim fiz o resto do caminho, até chegarmos à pequena Aldeia no cimo do monte.
Quando lá chegámos, parecia que nada se movia. A Aldeia parecia ter sido abandonada pouco tempo antes de termos chegado ali.
– Estranho… – Comentou Gabriela. – Ia jurar que havia alguém a viver aqui.
Anabela chamou-nos e apontou para a maior casa que havia naquele sítio. Era bastante maior que qualquer outra habitação. Parecia-se com um pequeno palácio. As paredes brancas reflectiam a luz, encadeando-nos os olhos.
– Aquilo é ouro? – Perguntei incrédulo, quando vi as janelas.
– É… – Confirmou Carlos.
Aproximámo-nos e espreitámos lá para dentro. Vimos uma sala enorme, ricamente decorada, apinhada de gente bem vestida. Parecia ser uma festa, pois estavam todos a brindar. A anfitriã parecia ser uma mulher que usava um vestido dourado. As jóias que ela usava eram tão grandes que pareciam pesar toneladas todas juntas. Os seus olhos pareciam estar a devorar o cenário, apreciando o que estava a acontecer. Mas então, senti a Aura dela. Afastei-me da janela, ao mesmo tempo que Anabela. Ela também parecia ofegante.
– Quem quer que seja aquela mulher, não tem boas intenções. – Sussurrou ela, puxando Carlos e Gabriela para o chão. A outra rapariga pareceu indignada.
– Como é que sabes? – Perguntou. – Vamos entrar. Pedimos estadia e alguém para nos arranjar os carros.
Gabriela começou a levantar-se, mas desta vez fui eu que a puxei de novo para baixo.
– Algo aqui não está certo. – Avisei.
Carlos espreitou mais uma vez. Os seus olhos abriram-se de espanto quando viu a mulher e voltou a esconder-se.
– Pois não… É impossível que ela esteja aqui na Terra. – Murmurou ele, pensativamente.
– Conhece-la? – Interroguei.
– Sim. – Afirmou ele. – Quer dizer, só vi imagens, nunca tinha estado na presença dela. É a Luxúria. O Demónio da extravagância. E um dos sete pecados mortais.
Anabela ficou chocada.
– Mas como é que ela está aqui? – Ripostou. – É impossível, eles estão presos no Inferno. Não podem sair de lá.
– Mas eu tenho quase a certeza. – Replicou Carlos.
– Isso quer dizer que os outros seis também estão cá. – Comentou Gabriela.
Os nossos olhares pousaram nela. A rapariga tirou uma faca de dentro da bota.
– Agora, como é que vocês sabem disto? – Perguntou ela, ameaçando-me com a arma.
Carlos sorriu.
– Os teus olhos. És uma Caçadora.
Ela olhou-o de alto a baixo.
– Como é que sabes?
– Eles os dois são Híbridos Celestiais. – Contou ele. – Eu sou… fui um Anjo.
Gabriela observou-nos, ainda desconfiada. Anabela revirou os olhos e fez aparecer uma pequena bola de luz na sua mão. A outra rapariga lançou mais um olhar a Carlos, mas acabou por afastar a lâmina do meu pescoço.
– Tenho de voltar ao jipe. Tenho lá todas as minhas armas. Venham comigo.
Nós obedecemos e seguimo-la, agachados, para que não fossemos vistos.
Assim que chegámos ao carro, Gabriela abriu o porta-bagagem, deixando ver uma enorme variedade de armas de fogo, espada e lanças. Anabela aproximou-se e retirou um arco empoeirado e duas dúzias de flechas. Gabriela olhou para ela desconfiada de que aquilo servisse de alguma coisa em comparação a metralhadora M16 que ela tinha na mão. Carlos agarrou numa lança simples, feita toda ela em metal leve mas resistente e sorriu.
– Nos tempos em que servia no exército eu manejava uma arama parecida com esta.
– Essa era de um anjo. – Comentou Gabriela, fazendo morrer o sorriso na cara do meu amigo. – Estávamos numa pequena luta. O Anjo tentou ajudar-me e acabou por ser morto por um dos demónios que combatíamos. Desde então guardei-a comigo.
Eu virei-me de costas para eles e observei um embrulho. Pela forma parecia ser uma espada, o que se revelou estar certo quando a destapei. Tinha a lâmina longa prateada e reluzente. O punho era feito de ouro e estava coberto com couro vermelho na pega. No final do punho, um rubi vistoso chamou-me a atenção. No seu interior, uma luz parecia andar de um lado para o outro.
Gabriela entregou-me a espada.
– Cuida dela. – Pediu ela, mais em tom de aviso do que de súplica. – É preciosa. Mato-te sem pensar duas vezes se a estragares ou perderes.
Eu fiz-lhe uma continência exagerada e testei novamente o peso da arma.
Estava prestes a pô-la na bainha quando ouvi um ramo estalar nos bosques.
– Ela sabe que aqui estamos. – Sussurrou Carlos, apontando com a cabeça para uma sombra negra que passava lentamente por trás das árvores. – Já enviou os Cães do Inferno.
– Mas como? – Perguntou Anabela – As nossas Auras ainda estão escondidas.
– Não a minha. – Respondeu Gabriela.
Olhei para o lado. Um dos Cães começara a correr na minha direcção. Senti o calor encher-me o peito, um formigueiro agradável percorrer-me os braços e pouco depois a lâmina da espada estava iluminada. Agitei-a no ar, num golpe de cima para baixo, libertando o poder, que atingiu o cão e cortou-o como se fosse manteiga. Os outros cães responderam ao ganido moribundo do seu companheiro e atacaram. Anabela fulminou uma com uma flecha coberta de Luz. Carlos mantinha dois à distância com a sua lança, fazendo-a girar habilmente nas suas mãos. Acabou por cortar o pescoço de um dos cães e empalou o outro com a sua arma. De repente, ouvi vários estrondos seguidos. Era a primeira vez que ouvia uma arma deparar. A cara de Gabriela estava completamente modificada. Olhava para os inimigos com raiva, segurando firmemente na sua metralhadora, esburacando mais uns quantos cães. A rajada de balas parou com um estalido. Gabriela tirou um carregador da mala do carro e recarregou a arma numa questão de segundos.
Quando a observava, o meu olhar desviou-se para a estrada. Lá ao fundo, via uma sombra, vestida de dourado.
– Temos problemas! – Exclamei, aflito.
Todos se viraram na mesma direcção que eu. Anabela apontou o arco.
– Vamos ter de correr, depois de eu fazer isto. Provavelmente ela vai voltar à sua forma original… – Comentou ela.
Carlos não hesitou e correu para o carro. Anabela seguiu de perto. No entanto, eu estava curioso para saber qual era a forma daquele demónio que se mascarava de uma mulher tão atraente.
Então, Ouvi a corda do arco de Anabela a ser solta. Uma flecha deixou um rasto branco, brilhante, atingiu Luxúria no peito e explodiu numa grandiosa e espectacular bola de luz. Senti o meu queixo cair e olhei para Anabela, Admirado.
– Caramba, tu és mesmo poderosa. – Murmurei.
Ela revirou os olhos e fez-me sinal para entrar no carro. Eu estava prestes a fazê-lo quando ouvi um rugido hediondo. Eu conseguia sentir a dor do Demónio. Senti a sua Aura expandir-se. Agora sabia porque é que não devíamos ficar ali. Era uma das auras mais poderosas que eu até então tinha sentido.
Entrei no carro aos tropeços. Carlos arrancou a toda a velocidade. Eu conseguia ouvir o bater das asas da criatura que nos seguia.
– E agora o que é que fazemos? – Perguntei.
– Temos que pedir ajuda a alguém mais poderoso que este demónio. – Atacou Gabriela, secamente.
Anabela fez a sua mão iluminar-se, como fizera antes em sua casa. Tocou em Gabriela que a olhou surpreendida, sem saber o que tinha acontecido. Mas não demorou a perceber que a Híbrida lhe tinha escondido a Aura. Até mesmo os Humanos tinham uma aura, mas muito mais fraca que as outras criaturas e quase imperceptível para estas últimas. No entanto, como mais tarde vim a saber, os Sete Pecados Mortais, as encarnações demoníacas dos piores pecados humanos, conseguiam sentir a aura dos humanos como se ela fosse a de um Arcanjo, já que eles se alimentavam disso mesmo, da aura dos humanos. Quanto mais eles pecassem, mais fortes ficavam esses demónios.
– Tenho um plano. – Informou Anabela. – Vamos ter de sacrificar o carro.
Gabriela olhou para a rapariga como se ela tivesse acabado de dizer as palavras mais obscenas de todas as línguas do mundo. Anabela retraiu-se.
– Somos nós ou o carro. – Argumentou a rapariga loira.
– Não há a opção de salvar ambos? – Suplicou a Caçadora.
Anabela acenou negativamente com a cabeça e a outra rapariga acabou por ceder.
Ela pediu a Carlos que guiasse o carro até uma ravina. No momento crítico, saltaríamos para as árvores, assim, a Luxúria não nos veria. Dessa forma fugiríamos e escapávamos à morte.
O plano correu bem, até termos saltado para fora do carro. Todos embatemos contra as árvores, em posições que pioravam a dor. Vimos o carro explodir ao longe, e a Luxúria a aproximar-se dele. Quando pousou, voltou à sua forma humana. Começamos a subir lentamente a encosta. Foi então que senti algo que fez o meu coração gelar. Anabela também o sentira, porque tinha olhado para mim com uma expressão de aflição.
Não demorou até vermos o anjo aparecer no cimo da encosta. Quando olhámos para baixo, o demónio sorria morbidamente.
Agora tinha a certeza de uma coisa: tínhamos o Céu e o Inferno atrás de nós. O que nos deixava muito pouco sitio para fugir senão a Terra. Pois… Nota de rodapé: na Terra era onde mais facilmente nos conseguiriam encontrar.
Carlos e Gabriela também já tinham visto o anjo. Mas desta vez era um Anjo pronto para matar. Uma armadura dourada cobria-lhe grande parte do corpo. Na sua mão esquerda usava um escudo rectangular e na outra mão empunhava uma espada de tamanho colossal.
Eu escondi-me por trás de uma árvore. Carlos aproximou-se de mim.
– Podemos aproveitar o Anjo estar a combater a Luxúria para fugir. – Sugeri.
Algo na sua cara me disse que ele não achava muito boa ideia àquilo. Vi o Demónio e o Anjo a aproximarem-se do sito onde estávamos.
– Que queres daqui, asas de penas? – Sibilou o Demónio.
– O mesmo que tu, Asas de Morcego. – Ripostou ele. – Mas podes-te ir embora, estes são por minha conta. São da nossa responsabilidade.
Ela riu-se cinicamente.
– Isso era o que tu querias. Quem os encontrar, mata-os.
Fizeram-se uns segundos de silêncio. Quando eu estava prestes a espreitar para ver qual a resposta do Anjo, senti algo passar rente à minha cabeça. Ouvi o som de metal a sibilar pelo ar e o som da madeira a rachar. Pouco depois, a árvore caiu à nossa frente. Olhei para o tronco cortado. O Anjo tinha uma expressão neutra, mas Luxúria arreganhava os dentes num sorriso malicioso. Eu e Carlos estávamos simplesmente boquiabertos, a olhar para o que restava da árvore e para a espada que se erguia no ar e descia rapidamente na minha direcção.
Ergui a mão direita à minha frente. A minha mão iluminou-se, criando um escudo de luz mesmo a tempo de aguentar o golpe do meu atacante. Mas por trás de nós o Demónio preparava-se para me atacar. Uma flecha acertou-lhe nas costas. Eu e Carlos corremos na direcção de que viera o projéctil. Gabriela estava a carregar a metralhadora enquanto Anabela tirava uma flecha da bolsa que trazia pendurada às costas e a punha pronta a ser lançada pelo arco que envergava na mão esquerda.
Agradeci-lhe com um olhar. Gabriela olhou para Carlos.
– Como é que é nos livrarmos daqueles dois? – Perguntou ela, indignada. – Pensei que vocês fossem os protegidos dos céus! Afinal têm a armada de Deus também atrás de vocês? Não se contentavam com demónios de nível superior?
Anabela calou-a com um gesto rápido com a mão.
– Pára. Não é uma boa situação. Precisamos de ajuda. – Concordou a rapariga.
Uma lâmina de luz quase nos atingiu, passando por cima de nós segundos depois de Carlos nos atirar a todos para o chão com um berro. Eu olhei estonteado para o Anjo.
– Mas não há nenhum Anjo na Terra! – Exclamei. – E mesmo que houvesse, onde é que ele ia estar?
Carlos abriu os olhos. Ele tinha uma ideia.
– Roma. – Sussurrou ele, atónito.
– Que boa altura para pensar em turismo! – Criticou Gabriela.
– Não! – Exclamou ele, começando a falar muito depressa. – O Vaticano. Fica em Roma. Deve haver lá alguém que nos possa ajudar.
Eu e Anabela ficámos chocados por ainda não nos termos lembrado daquilo. A sede da fé Cristã era talvez o melhor local onde encontrar alguém disposto a ajudar-nos.
Mas não demorou muito até termos de descer a correr a encosta para fugirmos às investidas dos nossos inimigos. Pouco depois, chegámos ao pé dos restos fumegantes do que outrora fora o poderoso jipe todo o terreno carregado de armas até às costuras.
Gabriela olhou com nostalgia para os restos do veículo, mas continuou a correr, à frente do resto do grupo. Mas pouco depois o Anjo e o Demónio já estavam a sobrevoar-nos. Deixei o calor percorrer o meu braço, fazendo aparecer uma bola luminosa na minha mão. Atirei-a com toda a minha força contra a Luxúria e atingi-lhe a cara. Ela soltou um grito de agonia antes de cair por terra. O Anjo voou a pique contra mim. A sua cara estava repleta por uma expressão séria. Anabela disparou uma flecha contra ele, ferindo-lhe a asa. O atacante pousou facilmente no chão, deixando-me perplexo com a velocidade com que ele se regenerava. Foi aí que vi a minha hipótese.
Desembainhei a espada e corri contra o Anjo. Ele sorriu com escárnio, e atirou-me facilmente para o lado com a sua espada gigantesca. Aproximou-se de mim.
– Nem pareces ser filho de quem és. O teu pai, o melhor guerreiro do nosso exército, deve ter vergonha de ti, garoto.
Senti o calor percorrer-me o peito. Pouco depois a lâmina da minha espada já estava novamente coberta de luz. Brandi a arma no ar, tentando atingir o Anjo, mas ele desviou-se. Quando o fez, pareceu perder o equilíbrio por décimos de segundo. Tentei desferir um novo golpe com a espada, mas desta vez com um efeito. Risquei-lhe a armadura. Bem... Não era exactamente isso que eu queria fazer, mas já era um bom começo.
Tentei novamente feri-lo, mas desta vez experimentei perfurá-lo com a minha espada. O Anjo desviou facilmente a lâmina e aproximou-se. Deu-me um pontapé no pulso, o que me fez soltar a minha arma, e agarrou-me pelo pescoço, cortando-me o ar.
– Já eras, miúdo. – Silvou ele, com superioridade e desprezo.
Quando ele estava prestes a espetar a sua espada no meu peito, ouvi um estrondo. Um tiro. Olhei para Gabriela, que empunhava um revolver que, a julgar pelo tamanho, era bastante pesado. No entanto, o Anjo apenas se virou para trás e sorriu-lhe.
– As armas dos mortais não nos matam. Já devias saber disso, Caçadora.
– Oh. – Comentou ela, descontraída. – O meu objectivo era só distrair-te.
O Anjo tentou virar-se mas foi tarde de mais. Uma das flechas de Anabela trespassou-lhe a cabeça, deixando um espectro luminoso na minha visão encadeada. O corpo inanimado do inimigo caiu no chão, soltando-me. Eu fiquei de joelhos no chão a esfregar o pescoço.
– Ainda hão-de vir mais. – Avisou Carlos. – É melhor irmos andando se queremos chegar a Roma em pouco tempo.
Eu acenei afirmativamente, erguendo-me com a ajuda de Anabela. Agradeci-lhe por me ter salvo. Ela sorriu-me e eu correspondi. Pouco depois já estávamos a caminho do nosso destino.
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