Epílogo
Acordei sobressaltada. Olhei à minha volta. Estava no meu quarto. Na minha casa. Saltei da cama. Não havia sinais nenhuns do desmoronamento. De queixo caído, corri para a sala. Estava intacta. Sem sinais de um Anjo ter entrado pelo telhado. Corri para o quarto de hóspedes. A janela não estava partida, como seria de esperar, depois da nossa fuga, quando Lilith ali entrara a meio da noite.
Corri para a cozinha. A minha mãe estava lá, a preparar o pequeno-almoço.
– Querida, estás atrasada par a escola. – Repreendeu ela, como sempre fazia.
Eu comi, sem conseguir dizer uma única palavra. A única conclusão que eu podia tirar era que tudo aquilo havia sido um sonho. Bem… Isso era bom. Mas tinha sido tão real… Sorri pela primeira vez. A minha mãe sorriu-me também e voltou a pedir-me que me despachasse.
O dia de escola correra excepcionalmente bem. Era bom saber que tudo aquilo do apocalipse, os quatro cavaleiros, a Ceifeira, os Anjos, Lilith, os demónios vampiros não passara de um pesadelo. Estava a caminho de casa quando me apercebi que alguém estava atrás de mim. Girei rapidamente, pronta para criar uma bola de luz, caso a pessoa que estivesse ao meu lado tivesse más intenções.
O meu coração falou um batimento, quando viu o rapaz de cabelos castanhos e olhos cor de avelã, como os meus, sorridente. Ele aproximou-se.
– Olá. – Cumprimentou.
– A… Alexandre… – Gaguejei. – Então…aquilo, foi tudo real?
Ele acenou afirmativamente, mas desta vez os seus olhos estavam tristes.
– Tinha medo que não te lembrasses de nada… – Sussurrou.
Eu revirei os olhos.
– Caramba… O que é que aconteceu depois de o Cavaleiro ter feito desabar as colunas, no Vaticano?
Ele sorriu.
– Voltou tudo ao normal. Falei com Ele… Concordou em fazer tudo ficar como estava antes… Ninguém que seja humano se lembra do que se passou…
Eu sorri. Era como se aquilo nunca tivesse passado de um mau sonho. Corri para ele, e abracei-o. Estava feliz por não ter morrido e também por todos os outros que tinham morrido pelo caminho também estavam vivos.
Mas então surgiu-me uma dúvida.
– Como é que O conseguiste convencer? - Perguntei, curiosa.
-É uma longa historia... - Respondeu, sem completar o que ia dizer.

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